Nessa vida, cadeia cíclica e fechada, surgem Radicais Livres que aprisionam o nosso carbono quaternário (o Coração), e impedem as Ligações Duplas, nos qualificando com funções (lineares ou exponenciais). São radicais livres presos. Nos condenam com alcunhas (seria eu um Éster, um Aldeído, ou seria eu um Disfuncional?) e logo partem as nossas cadeias, cravam as unhas em nossas veias e desaparecem! Parecem dedos histéricos, medos históricos... Afundam na memória para depois ressurgir: esse é o Ciclo Vital do Pânico-Orgânico Emocional. Seco, efêmero e saturado. Um anel benzênico representando a dupla alternância de Sentimento e Sensação.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Hiato

O olho de sol y sombra 
o gosto de sal y sono 
o porte de sorte nômade, 
passo pro norte o sul

pras dunas de areia e sangue 
estanco na veia o corte
correndo na pressa, apanho
a raiva que às vezes morde
 
E a frase tropeça frágil
no avesso (que então dá certo) 
e põe-se cansar do acaso
e do resto do vasto (uni)verso

- e acata a branda catarse 
do berço do véu da fome 
(me empresta um pouco teu nome?
 devolvo assim que puder)

a breve vagante sílaba 
(ao passo que afaga a língua)
se esconde, arredia e vinga-se.
extinta, vazia, atroz.

e eu nem mesmo disse um pio
e eu nem mesmo ouvi tua voz.
a força desse ditongo
é a forca de todos nós.

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